Jogador ‘vagabundo’, jacaré no CT… O português Ricardo Sá Pinto passou a limpo a sua passagem como treinador do Vasco durante entrevista ao canal Expresso 1923 nesta segunda-feira (24).
Ricardo Sá Pinto dirigiu o Vasco em 15 partidas e teve apenas três vitórias, além de seis empates e seis derrotas. O retrospecto ruim fez o time entrar na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
Ao falar sobre o elenco que tinha em mãos, o treinador chamou o meia Martín Benítez de “vagabundo”. O meia teve três gols e três assistências em 33 partidas pelo Vasco. Depois, passou por São Paulo e Grêmio até chegar ao América-MG, onde está desde 2022.
“Eu queria o Cano livre, era o nosso jogador com mais qualidade. Tínhamos Talles Magno, que ora corria, ora não corria. O Benítez, realmente tinha alguma qualidade, mas vagabundo, andava por todo o lado, não respeitava posição e andava muito lesionado. Ambos podiam jogar de 10, mas não eram fortes defensivamente. Coloquei eles mais perto do Cano”, disse Sá Pinto.
A passagem do português pela Colina também foi marcada por muitos problemas extracampo. Além de não receber salário durante o período que esteve no Vasco, o treinador citou a falta de estrutura no CT e lembrou de uma história inacreditável que vivenciou.
“Eu não sou milagreiro, não posso fazer as coisas sozinho. Eu não tinha dinheiro para pintar o campo do CT. Nem para tomar um pequeno almoço. Havia garotos sem dinheiro para comer. Eu não recebi nenhum salário em quatro ou cinco meses. Alguém viu eu reclamar de alguma coisa?”, desabafou.
“E sucuri? O campo não era tapado como está hoje. Tem várias histórias. Tínhamos um cãozinho que estava lá todas as manhãs. No dia seguinte estava sem uma pata. O que aconteceu? Uma bola caiu lá atrás, ele foi atrás da bola, e o jacaré roubou-lhe a pata”, completou o treinador.
Ricardo Sá Pinto passou por Turquia, Portugal, Irã e Chipre depois de deixar o Vasco e atualmente é treinador do Raja Casablanca, de Marrocos.