Ednaldo Rodrigues foi reeleito no cargo de presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), nesta segunda-feira (24), após ter disputado o pleito como candidato único. O mandatário contou com apoio maciço dos 40 clubes (20 da Série A e 20 da Série B), além das 27 federações estaduais.
A reeleição de Ednaldo é vista pelos clubes como uma vitória coletiva para que uma liga de futebol do Brasil saia do papel. A ideia é que a nova competição aconteça a partir de 2027.
À ESPN, diversos presidentes de times da Série A do Campeonato Brasileiro explicaram que o presidente não é contra a criação de uma nova competição e, inclusive, incentiva os times a alcançarem uma união. Esta foi uma das principais razões pela qual o mandatário teve apoio máximo para a reeleição.
Além disso, o presidente apoia os clubes e deu força ao Conselho Nacional de Clubes, a CNC, deixando a cargo das equipes chegarem a um consenso a respeito da criação da Liga. A ideia é que tanto a Liga quanto a CBF convivam em harmonia, tal qual acontece em países como Espanha e Inglaterra, por exemplo.
Apesar da união e do otimismo das entidades para o futuro sobre o tema, a ESPN trouxe na última semana uma reportagem explicando que existem alguns temas que ainda são tratados como “sensíveis” entre os clubes, e podem atrapalhar de certa forma que a liga saia do papel.
O modelo de fair play financeiro e a utilização, ou não, de gramado sintético são dois dos principais. Clique aqui e confira a reportagem completa.
Veja abaixo o que foi dito por cada presidente sobre a reeleição de Ednaldo e a criação de uma Liga
“Sempre fui uma pessoa democrática e, acima de tudo, humilde. Sei que o futebol brasileiro precisa sempre ter mais pessoas unidas em prol do seu fortalecimento, não só as propostas e ideias da CBF. Em 2022, antes de ser eleito, eu já dava apoio para uma liga independente, que pudesse ter uma união no futebol brasileiro e propor aquilo que eles [clubes] entendem ser o melhor para eles”.
“É um processo totalmente independente deles e nós nos colocamos à disposição para que isso possa fluir. O que nós estamos fazendo aqui é reiterando aquele compromisso de 2022. Em todo o mundo, nas melhores competições exista a liga. Eu entendo que no Brasil também pode ter. Ela vai trabalhar de uma forma muito sintonizada com a CBF”.
“Se aqueles que antes estavam na administração achavam que a liga tira poder da CBF, eu não tenho esse problema. É o futebol que as pessoas têm que administrar, trabalhar. Isso jamais vai me incomodar. As ligas vão reforçar o fomento ao futebol. A CBF vai participar daquilo a que for chamada. É uma independência que iniciamos em 2022, e que fico satisfeito”.
“O que nós queríamos era unir o futebol brasileiro. Era federação inimiga de clubes, federação de CBF, clubes com CBF. Hoje há união. Fazer com que todos pudessem vir numa eleição de 67 [membros] no colégio eleitoral, e todos participarem, isso mostra a união do futebol brasileiro. É só através da união e do diálogo que podemos conquistar algo”.
“A medida que se tem uma chapa única e tem se tentado o diálogo como um motor de crescimento…esse gesto tem dois sentidos. Primeiro o crédito que é dado ao Ednaldo e segundo o apoio tem que resultar em uma participação dos clubes. Nós somos parte importante, a paixão está nos clubes, então a gente precisa ter essa participação”.
“E que tenhamos um olhar mais amplo. É fácil falar em séries A e B, tem Série C e D, com clubes sem divisão, o futebol se cria emprego, sonhos, acredito que a CBF tem feito isso. Houve um apoio amplo, mas que isso se transforme em trabalho e realização. Não é um cheque em branco, acreditamos que possa evoluir, mas vamos seguir cobrando também”.
“Sim, sim, isso é um fato (diálogo com o Ednaldo sobre Liga). Sempre que falamos com ele foi nos dito que a CBF seria uma facilitadora, assim como os clubes desejam. Tivemos esses avanços e, em todas as ligas do mundo, existe harmonia entre as partes, na Espanha, na Inglaterra, na Alemanha, acredito que aqui não será diferente”.
“Importante esse consenso para que a gente dê estabilidade ao processo político e institucional da CBF. Isso nos coloca numa condição, enquanto clubes, de trabalhar pelo melhor. Cada clube com suas ideias, mas, com a CNC, dar a esta comissão um protagonismo no debate e nas pautas do futebol brasileiro”.
“Não fui procurado pelo Ronaldo, mas o processo de comando do futebol brasileiro passa por pessoas como ele. Acredito que teve uma convergência entre os clubes, desejamos um excelente trabalho ao Ednaldo”.
“Muito importante quando todos estão do mesmo lado. Processo com lisura e tudo certinho. Todos os clubes do mesmo lado, com as federações, traz uma responsabilidade maior para o presidente. É um passo importante para que crie uma liga”.
“A gente espera que aconteça o mais rápido possível, vai ser um divisor de águas. Vamos precisar fazer algumas mudanças nas negociações, até hoje não conseguimos, vamos ver se alguns clubes cedam um pouco para que a Liga saia do papel”.
“Sim, mostrou a união do futebol brasileiro, das federações, dos times da A e da B, que mostra nosso maior interesse que é a criação da Liga. Mostra maturidade e que a CNC vai ficar muito forte de agora em diante”.
“O Ednaldo conseguiu pacificar o futebol brasileiro, mas os clubes estão focados na Liga. Ele tem dado todo apoio, não atrapalhou, fez uma CNC com mais autonomia, o São Paulo se sentiu à vontade para apoiar e analisar o futuro dos clubes que é criar uma liga única”.
“Uma liga vai cuidar mercadologicamente do produto futebol. Acho que todos devem estar nessa liga contribuindo. A gente tem que ter mais de história na gestão do esporte e todos são bem-vindos. Todos podem participar dessa reconstrução desse produto futebol. Nós não queremos romper com a CBF, nós queremos juntar esforços e ter um diálogo permanente”.
“Posicionamento do clube foi pela eleição do presidente Ednaldo. Importante nós refletimos a fase do futebol brasileiro, gostaríamos de que, de uma forma democrática, tivéssemos outras opções de candidaturas, nada contrário a permanência do Ednaldo, até por que todos estão apoiando a sua gestão”.
“Mas, pela grandeza e pela democracia, seria interessante termos outros candidatos, de uma maneira diferente ter essa avaliação. Acredito que o trabalho é de uma unidade entre os clubes, para que a gente fortaleça o esporte, especialmente o futebol masculino, feminino, a base, para que a gente consiga vislumbrar no futuro o Brasil como uma potência no futebol mundial”.