A Procuradoria de Justiça Desportiva se manifestou na noite da última segunda-feira (31) por conta do caso de racismo ocorrido na partida entre Internacional e Sport, em Porto Alegre, pela terceira rodada do Brasileirão Feminino.
Nos acréscimos do 2º tempo, logo depois de o clube de Recife marcar o gol de empate no 2 a 2, uma banana foi arremessada em direção ao banco de reservas do clube pernambucano.
A medida foi protocolada por Paulo Emílio Dantas Nazaré, Procurador-Geral do STJD, e Leonardo Leal David, Procurador do órgão.
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“A Procuradoria de Justiça Desportiva requer a concessão de liminar pelo Excelentíssimo Senhor Presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, determinando, de imediato, a perda de três mandos de campo do Sport Club Internacional, com a realização das partidas com portões fechados e em local a ser definido pela Diretoria de Competições da CBF, conforme disposto no artigo 111 do RGC 2025. Tal medida se faz necessária como providência disciplinar preventiva, garantindo a integridade da competição e reafirmando o compromisso do desporto com a erradicação de práticas discriminatórias, até o julgamento definitivo da denúncia, a ser formalizada com idêntico lastro probatório”.
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“Após o recebimento da presente Medida Inominada na forma do art. 78-A do CBJD e a concessão da liminar requerida, requer a citação do clube para o devido e regular processamento do feito. Por fim, postula o julgamento pela procedência dos pedidos desta MEDIDA INOMINADA ACAUTELATÓRIA, com confirmação da liminar inicialmente concedida”.
Após a manifestação da Procuradoria de Justiça Desportiva, o Internacional se manifestou por meio de comunicado sobre o caso, revelando que “apuração rigorosa que levou à identificação da pessoa envolvida e está tomando todas as medidas cabíveis”.
Veja abaixo a manifestação oficial do Internacional:
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“O Sport Club Internacional informa que, diante da gravidade dos fatos ocorridos na tarde desta segunda-feira (31/03), durante o jogo contra o Sport, pelo Brasileirão Feminino, conduziu uma apuração rigorosa que levou à identificação da pessoa envolvida e está tomando todas as medidas cabíveis. O Clube do Povo solicitou, com urgência, as imagens ao local da partida para encaminhá-las aos órgãos competentes, a fim de contribuir com a apuração.
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A Instituição reitera seu repúdio veemente a qualquer ato discriminatório e reafirma seu compromisso inegociável na luta contra todas as formas de preconceito, mantendo-se firme na promoção de um ambiente de respeito e igualdade dentro e fora de campo.
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O Sport Club Internacional se solidariza com a equipe do Sport Recife, colocando-se ao seu lado na busca pela apuração dos fatos e no combate à discriminação. O futebol deve ser um exemplo de inclusão e respeito, dentro e fora das quatro linhas”.
Em nota oficial, o Sport classificou o ato como “repugnante” e exigiu “punição exemplar do responsável”. Após a partida, o diretor de futebol feminino Alessandro Rodrigues registrou um Boletim de Ocorrência.
“Esse ato repugnante é uma clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune. O Sport Club do Recife não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição exemplar do responsável”, diz parte da nota.
“Imediatamente após o lamentável episódio, o diretor de futebol feminino do Clube, Alessandro Rodrigues, dirigiu-se a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência e aguarda os desdobramentos do caso, incluindo a responsabilização do envolvido”.
Horas depois da partida, a CBF se manifestou sobre o caso e pediu à Procuradoria-Geral do STJD que o Internacional seja punido preventivamente, cumprindo três partidas de portões fechados fora de Porto Alegre.
“Vamos cobrar uma apuração rigorosa. Não existe mais espaço para racistas no futebol”, afirmou o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
A partida realizada em Porto Alegre terminou empatada em 2 a 2. Esse foi o primeiro ponto somado por Internacional e Sport no Brasileirão Feminino.
Confira abaixo a nota oficial do Sport:
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O Sport Club do Recife vem a público repudiar, veementemente, a atitude covarde e racista de um torcedor do Sport Club Internacional, que arremessou uma banana em direção ao banco de reservas rubro-negro durante a partida do Campeonato Brasileiro Feminino, nesta segunda-feira (31), em Porto Alegre.
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Esse ato repugnante é uma clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune. O Sport Club do Recife não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição exemplar do responsável.
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Imediatamente após o lamentável episódio, o diretor de futebol feminino do Clube, Alessandro Rodrigues, dirigiu-se a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência e aguarda os desdobramentos do caso, incluindo a responsabilização do envolvido.
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É inaceitável que, em pleno 2025, ainda sejamos confrontados com episódios como esse. O futebol deve ser um espaço de respeito, inclusão e diversidade — nunca de ódio e intolerância.
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O Sport Club do Recife prestará total apoio às jogadoras e à comissão técnica que foram alvo desse ato racista e reafirma seu compromisso inabalável na luta contra qualquer forma de discriminação.
Confira abaixo a nota oficial da CBF:
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Logo após tomar conhecimento do suposto ato racista sofrido pelas atletas do Sport na partida contra Internacional, realizada nesta segunda-feira (31), pelo Campeonato Brasileiro Feminino A-1, em Porto Alegre, a CBF informa que enviou de imediato toda a documentação à Procuradoria-Geral do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) cobrando apuração rigorosa dos fatos. A entidade pediu também punição preventiva ao clube gaúcho, caso seja confirmado a agressão racista. No pedido de abertura do inquérito, a CBF requereu que o Internacional cumpra três partidas de portões fechados fora da capital gaúcha até o julgamento da questão.
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O episódio foi registrado pelas câmeras da TV Brasil. Nas imagens da emissora, é possível ver a quarta árbitra Andressa Hartmann recolhendo o pedaço de banana para registrar o caso em súmula após a reclamação das atletas do Sport.
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“Vamos cobrar uma apuração rigorosa. Não existe mais espaço para racistas no futebol”, afirmou o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues.
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A CBF condena veementemente qualquer tipo de ação discriminatória no futebol e não tolera casos de racismo no esporte.
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O combate ao racismo é uma das prioridades da CBF, a primeira confederação a implementar punição desportiva em seu Regulamento Geral de Competições para casos de preconceito.