O desempenho do Palmeiras foi assunto no Resenha da Rodada desta segunda-feira (31). Após a estreia com empate sem gols em casa contra o Botafogo, o Verdão saiu criticado pela torcida e viu Abel Ferreira desabafar – para horas depois recuar e pedir desculpas pelas próprias declarações.
Para Fábio Luciano, dois pontos chamam atenção na atual fase do Verdão: a dificuldade de aproveitar o talento de Estêvão, principal jogador da equipe, e a postura do técnico português sobretudo nas entrevistas coletivas.
O ex-zagueiro de Ponte Preta, Corinthians e Flamengo analisou a maneira que o sistema tático do Palmeiras prejudica o desempenho de Estêvão. Para o hoje comentarista da ESPN, que traçou até um paralelo com o que vive Vinicius Jr. na seleção brasileira, o Verdão se tornou previsível.
“A gente vê outros times fazendo essas viradas de jogo mais rápida e pegando o ponta com liberdade. O Palmeiras não consegue mais criar isso. A bola demora muito para chegar nele. É como o Vinicius Jr. No Real Madrid criam uma jogada para ele pegar de mano, mas na seleção não acontece isso. Com o Estêvão é a mesma coisa”, falou Fábio Luciano.
“Todo mundo sabe que ele vai tentar a condução para dentro. Quando ele faz o movimento, já tem dois jogadores em cima. O questionamento que eu faço é que, quando tem um jogador marcado por três, tem gente sobrando. Então o Estêvão está sendo mal aproveitado. Aí não tem qualidade que dê conta”.
Sobre Abel, a crítica do ex-zagueiro é mais relacionada aos gestos e postura na beira do campo e após as partidas. Fábio Luciano ainda acredita que o comportamento do técnico reflete diretamente nos jogadores e no ambiente com a torcida.
“O Palmeiras é reflexo do Abel. Quando ele era muito intenso, um cara mais positivo, Palmeiras era mais alegre e competitivo. Hoje a gente só vê o Abel brigando, questionando, reclamando. Essa energia acaba refletindo nos jogadores também. Se você está de saco cheio o dia inteiro, como Abel parece que está, o jogador também vai ficar, torcedor também”, opinou.
“Tem muita competência, profissional vencedor, mas se não mudar essa maneira de se comportar nas entrevistas e em campo, vai ser questionado e ter muita nota para soltar ainda. Tem que respeitar os feitos, mas não pode acomodar nisso, não. Abel dificilmente vai ficar acomodado, mas é uma irritação além do normal”.