O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou nesta terça-feira (25) que a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é mais grave do que o Mensalão. Outras 33 pessoas também foram denunciadas.
“No Mensalão se fala: ‘Ah, está se corrompendo a democracia, a compra de votos e coisa’. Aqui [denúncia por tentativa de golpe] é uma coisa muito mais grave quando se fala de matar o presidente da República, matar o vice-presidente, matar ministro do Supremo, prender outros, fazer uma intervenção”, disse o ministro.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o plano de golpe incluia o assassinato do presidnete Lula (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. Mendes classificou o trabalho da PF como “exemplar”.
O Mensalão foi um escândalo de corrupção envolvendo políticos do PT e de outros partidos, que consistia no pagamento de propinas a parlamentares para angariar apoio ao governo Lula em 2005. O Supremo julgou o caso entre 2012 e 2013.
Entre os políticos presos pelo esquema à época estão: o ex-presidente do PT José Genoíno, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT), e o atual presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Gilmar Mendes diz que delação de Cid está “lastreada em fatos”
O decano da Corte disse não ver possibilidade de anulação do acordo de colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid, um dos pilares da investigação, pois a delação está “lastreada em fatos”.
“É claro que a delação do Mauro Cid é extremamente importante. Mas nós estamos vendo que ela está lastreada em fatos. Vocês têm divulgado um diálogo que o ministro Alexandre de Moraes mantém com ele, mostrando as contradições. Mas as contradições que ele mostra [são] diante de fatos já investigados, dizendo: “isso não corresponde à verdade”, destacou.
A defesa de Bolsonaro deve pedir a anulação da delação. Mais cedo, o ex-presidente disse que Cid “foi torturado” psicologicamente por Moraes. “O Cid era o muro das lamentações, todo mundo ligava para ele… Acho que ele se empolgou com essa missão, tinha excesso de iniciativa, queria resolver sem consultar. Mas foi de boa fé”, disse o ex-mandatário em entrevista ao jornalista Léo Dias.
“Não vejo que vá funcionar, mas é normal que se faça. Não parece que haja razão para suspeição ou impedimento. Vocês sabem que nós somos um colegiado muito pequeno, então o debate sobre impedimento ou suspeição, se nós formos muito concessivos nessa matéria, daqui a pouco falta gente para julgar”, pontuou.