O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (25) que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por julgar a suposta tentativa de golpe de Estado, é conhecida como “câmara de gás”. O colegiado vai analisar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-mandatário e outras 33 pessoas no inquérito do golpe.
A PGR apontou Bolsonaro como líder do “núcleo crucial” de uma organização criminosa que teria planejado o golpe e o assassinato do presidente Lula (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. O ex-presidente nega qualquer irregularidade.
“Se você analisar uma Turma com a outra, essa Turma que eu estou, tem um apelido, né? Câmara de gás. Entrou ali…”, declarou o ex-mandatário em entrevista ao jornalista Léo Dias, sem revelar quem teria dado o “apelido” ao colegiado. A Primeira Turma é formada por Moraes (relator do caso), Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.
Já a Segunda Turma é composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados pelo ex-presidente; Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli. A defesa de Bolsonaro tenta levar a análise da denúncia ao plenário da Corte. Além disso, solicitou o impedimento de Dino e Zanin.
O ex-mandatário disse que, se for condenado a mais de 40 anos, pode morrer na prisão. Ele admitiu que a chance de ser preso é alta. “Quarenta anos, não. Morrer na cadeia. Eu não vou viver mais [do que isso]. Para algumas pessoas importantes, não interessa eu preso, interessa eu morto… Eu preso vou ser um problema também, vai haver uma comoção nacional”, disse.
“Ainda tem tempo, mas tenho que enfrentar. Mas onde está meu crime? Tentativa ‘armada’, qual arma? Dano ao patrimônio público? Eu não estava no Brasil”, afirmou.
A PGR acusa os denunciados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
As penas máximas de todos os crimes imputados a Bolsonaro somam 43 anos de prisão. Mas a dosimetria da pena, caso ele seja condenado, só será definida no final do julgamento da ação penal, que ainda não foi aberta.
Bolsonaro diz que 8/1 foi armado “pela esquerda” e minimiza delação de Cid
Sem apresentar provas, o ex-presidente disse que a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 “foi programada pela esquerda”. A PGR vinculou os atos de vandalismo ao suposto plano de golpe, que teria sido organizado entre novembro e dezembro de 2024. Para o ex-mandatário, os envolvidos nos atos são “pobres coitados”.
Durante a entrevista, Bolsonaro minimizou a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. Para o ex-presidente, o militar “foi torturado” psicologicamente por Moraes. Na semana passada, o ministro divulgou a íntegra da delação.
“O Cid era o muro das lamentações, todo mundo ligava para ele… Acho que ele se empolgou com essa missão, tinha excesso de iniciativa, queria resolver sem consultar. Mas foi de boa fé”, disse. Bolsonaro também negou a existência do plano para matar autoridades.