Poupado no Corinthians para tratar uma tendinopatia patelar no joelho direito, Rodrigo Garro revelou à ESPN que precisou de anestésicos no sacrifício para jogar a final do Paulistão contra o Palmeiras, na partida que garantiu o título estadual ao clube.
A conquista diante de quase 49 mil torcedores na Neo Química Arena marcou o nome do meia na história do Timão e tornou realidade o sonho de ser campeão pelo clube.
Esse, inclusive, foi um dos motivos que levaram o camisa 8 a fechar as portas duas vezes às propostas que chegaram ao Parque São Jorge. A primeira delas, ainda em 2024, foi feita pelo River Plate. Já em 2025, o “não” foi dado ao Zenit, da Rússia, na casa de 25 milhões de euros (cerca de R$ 148 milhões à época).
Em entrevista exclusiva à ESPN, o argentino revelou que um fator pesou para permanecer no Corinthians, mesmo diante de ofertas financeiramente importantes: o carinho dos torcedores.
“Todo jogador sonha em receber carinho como o que eu recebo jogando em um clube como o Corinthians. Não só a mim, mas à minha família. A torcida é uma coisa incrível. Faz um ano e pouco que estamos aqui, e desde que cheguei as pessoas foram maravilhosas. Dentro do campo, fora do campo, sempre demonstraram muito carinho”, disse o meia.
Um dos nomes mais celebrado pela torcida do Corinthians, Garro não esconde que as ofertas que chegaram a ele mexeram de formas diferentes. A primeira, do River, não o convenceu, enquanto a segunda, mesmo que tenha lhe balançado, não foi suficiente para tirá-lo do Brasil.
“Não gosto de mentir para a torcida. Quando chegou a proposta do River eu já falei que a gente estava na zona de rebaixamento, seria covarde. Não sou uma pessoa que abandona. Seria ir contra isso. Quando aconteceu a do Zenit foi outra coisa. Sim, mudava a vida da minha família. De todo mundo”, admitiu Garro, revelando a razão pela qual decidiu permanecer no Brasil.
“Mas eu sentia que a energia no clube estava trazendo uma taça, que a gente poderia conseguir um título. Estava em um momento em que eu falei com o Olavo [Guerra, assessor de imprensa do clube] que quando chegou a proposta, eu já havia recebido todo o carinho da camisa 8, que foi uma coisa que eu vou lembrar toda minha vida. Não era o momento. Por mais que o dinheiro seja muito, não era o momento de tomar essa decisão”.
Veja outros temas da entrevista exclusiva com Rodrigo Garro:
“Esses foram dias que eu nunca vou esquecer. Ganhar um título com um clube como o Corinthians é inesquecível. Foi muito difícil, mas não apenas pelo que foi o Paulistão, mas por como a gente viveu desde que cheguei aqui até conseguir meu primeiro título e deixar o meu nome na história de um clube como o Corinthians. É um momento muito gratidão para mim, para a minha família. Poder levantar uma taça depois de seis anos que o clube não conseguia isso. Devolver alegria às pessoas. Quando eu cheguei as pessoas estavam muito mal, tristes. E hoje, viver a festa que nós vivemos, é gratificante”.
“Quando eu cheguei aqui o Corinthians ficava em último no Paulistão, no Brasileirão, a gente estava lutando para não rebaixar no Paulistão. Lembro que quando eu cheguei o grupo falava, e eu não sabia que existia rebaixamento também no Paulistão. Lembro que o grupo falava isso e eu falava: ‘Estamos mal, hein? Se estamos lutando para não rebaixar no Paulistão, imagina no Brasileirão’. Hoje, um ano depois, a gente sai campeão do Paulistão e sendo melhor time. A gente não saiu campeão se classificando com poucos pontos. A gente liderou a pontuação e fizemos tudo o que a gente tinha que fazer todos os jogos. É gratificante para o jogador poder, particularmente, chegar a um clube que não vem bem e ser parte de uma reconstrução”.
“Ano passado a gente sofreu para c***, e hoje estar aqui, podendo falar que a gente ganhou um título depois de tudo isso. Por isso eu falo que o título é muito mais que a taça. Tem muito esforço de todo mundo, não apenas dos jogadores. Por trás tem um time de trabalho, gente que vem ao CT às 5h da manhã e sai meia noite. É para eles também, que deixam tudo de lado para que a nossa estadia no clube seja mais confortável. Por isso eu falo dessa gratidão. De ficar feliz e fazer o Corinthians um pouco do que estava quando eu cheguei”.
“Quando a gente viajou, e acho que fizemos um jogo fora e tinha dois dias de concentração. Eu levei o violão e contei para o Yuri. Ele me falou: ‘E você não me fala? Eu iria cantar no seu quarto’. Eu falei: ‘Não gosto, eu toco sozinho’. Falei que tocava ‘Dormi na praça’, um estilo de música que gostei e estava tentando tocar. Só toco para distrair a cabeça, na minha casa, com a minha família”.
Sem Garro na estreia do Brasileirão, o Corinthians também deve desfalcado pelo meia para sua estreia na COMMEBOL Sul-Americana. O time abre a campanha no Grupo C nesta quarta-feira (2), na Neo Química Arena, contra o Huracán (ARG). A partida será atração com transmissão ao vivo do Disney+ a partir de 19h (de Brasília).